A Voz
Toda voz que se aveluda
Em noites cálidas ou não
Entre lençóis ou sob estrelas
Sons e palavras, ais e palavrões
Toda voz que se confessa
Amante ou amada
Paixão ou só tesão
Taras, versões, qual seja!
Toda voz que se emudece
Na garganta do outro
Que nasce do ventre
Para soar forte no gozo.
Toda voz que arranha
Costas na relva ou areia
Ecoando entre pernas abertas
Entrando fundo nos lábios abertos.
Toda essa voz
Em qualquer lugar
Em qualquer língua
É veludo rasgado
É ventre lavado
É amor, paixão, tesão
É sexo, é perversão
É do animal, todo som
É humano, pois não!
Sam, 2005
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