sexta-feira, outubro 28, 2005

Ode



Só,
Único
Neste momento
Mesmo sendo
Apenas um
De muitos
Em teu passado
Sou eu,
Teu,
No presente
Agora.


Em tua boca,
Meu fogo
Não apaga
E te malfaço
Lentamente
Insinuante
Oculto
Enquanto me consomes
Em tuas mãos, boca
Em teu corpo
Enquanto te penetro


Depois de mim,
Quiçá virão outros
Me esquecerás
Serei apenas uma névoa
Algo que se evolou
E se foi
Ao vento, de teu
Pensamento
Mas deixarei
Marcas em ti
Perpétuas


Sou
Madeira sagrada
Camelo
Carlton
Capri
Livre

Ou outro
Em cada canto que olhares
Estou, estarei
Até o fim.
Teu fim.

Sm
28.10.2005

quinta-feira, outubro 27, 2005

Hardcore Suave



Ele olhou desavergonhadamente o decote da secretária quando ela se abaixou junto ao arquivo de aço, gaveta de rés-de-chão, transtornado pela dúvida entre o vislumbre daqueles seios e as coxas juntas, morenamente expostas ao fim da saia. Sentiu a reação automática de seu corpo na tensão do pau, enrijecendo entre os pentelhos, arrancando os mais presos ao membro. Percebeu que ela percebeu sua excitação, o rosto de boca grande e lábios negróides na altura de sua braguilha. Ainda agachada, ela ergueu os olhos e encontrou os dele. Um sorriso sacana iluminou a sala, um sorriso vencedor, de quem sabia de antemão onde e como terminaria a luta. Durante semanas ele resistira ao sutil assédio da funcionária, envelopando razões e motivos para não levá-la para a cama e agora todo o esforço e tempo foram jogados no lixo, à simples visão de um decote e um par de coxas firmes. Estavam só os dois no escritório, ele precisando localizar documentos arquivados para feitura de uma apresentação para um cliente logo cedo no dia seguinte, ela ajudando-o, como era sua orbigação.

Ainda agachada, despudorada, ela beijou o pênis por sobre a calça, ainda, para logo depois, tirá-lo e começar a beijá-lo com delicadeza, como se beija um bebê, sugá-lo como a um seio de mãe, enquanto com uma das mãos pressionava-lhe a base, retendo a circulação do sangue, forçando-o a ficar ainda mais duro.

Aqueles lábios engoliam o caralho e davam sentido à palavra agasalhar, aquecendo, confortando, da glande até o talo, do talo à ponta. Ao mesmo tempo ele sentia a língua como cobra das cavernas enrodilhar-se em torno do pau molhado e desenrolar-se, sempre apertando, um abraço firme dando a impressão de tomá-lo todo. E tudo isso sem diminuir a pressão, às vezes um curto silvo denuniando a passagem do ar para dentro daquela boca vadiagulosa que ia trazendo à flor da pele o sangue do corpo dele, chupando-lhe não só o pau, mas a própria força, fazendo suas pernas bambearem, obrigando-o a apoiar-se na parede, esquecido de si e de tudo o mais, sujeitado à onipresença sensorial daquela boca.


Uma explosão, o cacete se abrindo e esvaindo golfadas de si mesmo. As pernas perderam a sustentação e ele se acocorou, ficando frente a frente com aquela boca. Um sorriso sacana iluminou a sala, um sorriso vencedor, de quem sempre se soubera vitoriosa. Ela se levantou com uma pasta na mão e a entregou, um olhar divertido pela fragilidade do homem, dominado por apenas uma boca e uma língua, seduzido por um decote e um par de coxas.

Sam
27/10/2005

terça-feira, outubro 25, 2005

Ausência


Um silêncio morto,
Inequívoco e frio
Absorve sons e vida


Um vazio de plenitude
Onipresente e envolvente
Morde meu corpo


Devora-me, esfinge!
Devora-me, tempo!
Despudoradamente...
Mas, volte!

25.10.2005

quinta-feira, outubro 06, 2005

Sombrio (2) - Saudade


Não sinto mais tua boca,
Respirando na minha;
Não tenho mais tua língua
Abraçando a minha;
Não vens mais com tuas mãos
Tecer meus desejos;
Não mais, com os olhos,
Me dizer de teu prazer;
Não arrepiares por mim, tua pele,
Nem fazer da minha, nua;
Não mais se fazer fonte,
Para que eu beba de tua água; e
Não mais roubares de mim,
De volta.


Não ter você sobre mim,
Senhora amazona
Não estar sobre ti,
Te acoitar.
Nunca mais ser devorado,
Sem ser presa;
Sem ser predador,
Te comer inteira e em partes.
Na velha luta do amor,
Não ser derrotado ou vencedor.

Não mais nada,
Nem coisa alguma,
Agora ou Aqui
Ontem ou depois
Ser apenas teu

Passado.


06.10.2005

A Boca (2)


Tua boca se move frenética
Cuspindo palavras que não escuto
Não quero ouvir, não quero saber
Quero tua boca fechada
Em meu pau.

Tua língua é ferina
Língua de cobra, bífida
Língua cobreante, edênica
Tentação e pecado
Prazer e remissão.

Teu sopro, de fora para dentro
Música em meu corpo
Soa-me, só.
Quero tua boca fechada
Em meu pau.

06.10.2005

Sombrio



Não, não há um por do sol no horizonte
Nem se findará essa noite escura
Sem que antes chegue a morte
Ainda que se me mantenha vivo.

Não, não há um amanhecer sobre os montes
Ou esperança de luz que acabe esta tortura
Pois é fado, é destino, é sorte
Conviver comigo, sempre, não me livro.

Ainda que eu force rimas,
Ainda que finja brilhos,
Espírito, sensibilidade
Que me disfarce inteligente
Amigo, sensual, humano
Sou meu fardo, minha pena,

Minha maldição.

06.10.2005