segunda-feira, março 27, 2006

Dores de crescimento

Que doesse tanto, não sabia
Apenas adivinhava, no teu olhar
Aquele brilho escondido
Aqueles cílios compridos.
Os olhos cerrados de sobrancelhas arqueadas.
Apenas imaginava,
Em teus lábios carmins
A voz murmurada em meus ouvidos
Palavras de febre e furor
Meu desejo encoberto
Apenas percebia
Em teus seios maçãs
Teus bicos acusadores
Tua pele branca de pecado.
Tua roupa vestida.
Apenas sonhava
Pesadelos sombrios
As negativas, rejeições
As dores de meu crescimento,
Quisera fostes a última.
Aqui só em minha cama
Quarto escuro sem lua
Tomo enfim resolução
De se é assim o amor,
Quero não.
Se doem assim estas dores
Quando eu crescer, não quero amar
.

Sam, 22.03.2006
Publicada originalmente na comunidade Orkut
Poesia Erotica

quinta-feira, março 23, 2006

Casa de vidro

De minha casa no limbo
Espreito, te tento
Seduzo tua boca
E te faço sentir meu gosto
Atraio tuas mãos
E as torno minhas
Para entreabrir tuas pernas
Afastar tuas roupas
Acarinhar teus seios
Penetrar-te fino
Fazendo-me pleno
Preencho-te tempo e sexo
Conduzo teus dedos onde iriam os meus.
E faço você fazer
Como se fosse eu
O que gostarias que
Fizesse.


Sou um fantasma que assombra
Teus sonhos, quando ainda acordada
Sou príncipe encantado
montado em branco corcel
Sou estuprador tarado
de algemas e arma.
Sou o cafajeste safado
de roupa de grife e língua afiada
Sou o bom menino
Que te dá rosas e amor versejado
À mãe me mostrarias, teu enamorado.

Sou o homem afastado
Que te dá teu desejo
E que tomo para mim
O que me é destinado
Desde essa minha casa de vidro
em que moro enjaulado.

Sam
23.03.2006

sexta-feira, março 17, 2006

Eu te quero










Eu te quero

te quero nua

quente

molhada

suada









Eu te quero

te quero vestida

fria

seca


para poder despi-la

peça por peça


para poder aquecê-la,

parte por parte


para poder molhá-la

por inteiro.


Você

nua, para agradar-me de você

quente, para me aquecer

molhada, para me receber.


Sam

17.03.2006

quinta-feira, março 09, 2006

Mulher todas



Ah!, aqueles dias

Saudosos dias saudáveis

Em que como crianças

Brincávamos de fazer

Crianças.

Ah!, como éramos crianças,

Explorando cada novidade

Um no outro, de um e outro

Como se novo algo houvesse

Ainda.

Ah!, como eu era feliz

Em descobrir que teu seio

Era macio, firme e maleável

Com um mamilo, bico

Auréola.

Ah!, como te comovia

Minhas declarações de amor

Minhas expressões de desejo

A suavidade e firmeza

Excitação.

Ah!, como posso hoje

Negar-te que te tenho

Em cada mulher que desejo

Em cada corpo que me taria

Como.


Todo seio é o teu, em minha boca

Toda bunda é a tua, em minhas mãos

Todo sexo é teu, em meu sexo

Todas as mulheres, são

Você


Sm
08.03.2006
Às mulheres, todas, no Dia Internacional.

sexta-feira, março 03, 2006

Autoretrato em teu espelho


De tudo que um pouco sou

- mentiras, fantasias, sonhos -

Devo a ti, não me negues

Minha própria falsidentidade.


Quem me faz é tua vontade

De ter em mim algo que não possuo

Porque se tenho, não sou eu

Mas é para você, meu.


Quem me vê é teu desejo

Que se faz minha imagem

Sou o que queres que seja

Sou o que de mais podes ter.


É minha criadora, pigmaleoa

Em tua cama, me despes,

Monta-me, esculpe,

Tua boca polindo a pedra


Pintado em tela de teu lençol

Com tintas de teu prazer

Não me deixa seco,

Galateu.


Numa hora, me abandonas

Oculta-me, acabrunhada

Sou tua obra mais obscena

Do que falo, teus lábios conhecem.


Noutra hora, me cobre

Esconde-me, sou cobra

Temes minha peçonha

Tira-a às golfadas .


Por fim, vazio

Esvaeço, por consumido

Sem mais teu desejo.

Apenas um reflexo em teu espelho.


Sm
03.02.2006